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Métodos e técnicas de pesquisa

Para realizar uma pesquisa é preciso promover um confronto entre o dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele. Trata-se de construir uma porção do saber (LUDKE e ANDRÉ, 1986). Esse conhecimento é não só fruto da curiosidade, da inquietação, da inteligência e da atividade investigativa do pesquisador, mas também da continuação do que foi elaborado e sistematizado pelos que já trabalharam o assunto anteriormente . A primeira fase do processo de elaboração de uma pesquisa consiste na determinação do seu tema.

O tema da pesquisa

Para GOLDENBERG (1997), qualquer assunto da atualidade poderia ser objeto de uma pesquisa científica. O pesquisador experiente saberia descobrir assuntos aparentemente banais e os transformaria em pesquisas fecundas. Mas, para isso, seria preciso ter muita experiência e enxergar o que os outros não conseguem ver.

A escolha do tema deve basear-se em critérios de relevância (importância científica e contribuição para o enriquecimento das informações disponíveis), de exeqüibilidade (ou seja, acesso à bibliografia e disponibilidade de tempo) e de oportunidade (contemporaneidade da pesquisa), – além da adaptabilidade do autor, que já deve ter os conhecimentos prévios sobre o assunto e sobre a área de trabalho proposta (ANDRADE, 1997).

Deve-se levar em consideração a especialização profissional, e eleger um assunto para ser abordado em profundidade, o que está estreitamente relacionado à especificidade.

LAKATOS e MARCONI (1991) alertam para o fato de que o tema deve ser especializado. Não sendo possível a um indivíduo dominar a totalidade, seria necessário selecionar o que pode ser tratado com profundidade. Entre as vantagens da especialização, enumerar-se-iam: a possibilidade de investigar em profundidade uma parte da ciência, chegando-se a deduções concretas; a facilidade de encontrar o método adequado; e a viabilidade da consulta a monografias e artigos.

AZEVEDO (1999), ensina que o tema deve ser relevante científica e socialmente, situado dentro de um quadro metodológico ao alcance do pesquisador e com áreas novas a explorar. Além disso, é importante que a relevância do tema dirija-se a três beneficiários: a sociedade, a ciência e a escola (SANTOS, 1999).

Linha de pesquisa

Antes de escrever um projeto, o pesquisador deve decidir qual corrente epistemológica o orientará e estudar – dentro do quadro escolhido – as aproximações ao fenômeno. Isto significa revisar o conhecimento acumulado até o momento. Deve-se realizar uma interpretação do fenômeno – histórica ou atualizada – analisando suas diversas perspectivas, mediante referência ao que já se escreveu(RICHARDSON, 1999). A partir daí é que o pesquisador formulará o problema, as hipóteses, e dirá quais serão as suas contribuições, teóricas e práticas.

 

O problema

O problema é uma questão não resolvida, algo para o qual vai-se buscar uma resposta, através de pesquisa. Pode estar referido a alguma lacuna epistemológica ou metodológica percebida, a alguma dúvida quanto à sustentação de uma afirmação geralmente aceita, à necessidade de pôr à prova uma suposição, a interesses práticos ou à vontade de compreender e explicar uma situação do cotidiano (VERGARA, 1997).

EINSTEIN costumava dizer que a formulação de um problema é mais importante que a sua solução. Para ACKOFF (1974), o sucesso estaria em encontrar a solução certa para o problema certo. Falharíamos, muitas vezes, por tentar resolver o problema errado – mais do que por obter uma solução errada para o problema certo. As questões atuais, em todo o mundo, se relacionariam muito mais com os problemas que deixamos de abordar do que com os problemas que não conseguimos resolver.

A definição do problema é parte decisiva do planejamento de uma pesquisa, pois nos obriga a uma profunda reflexão. Do empenho na formulação do problema resulta o bom planejamento que facilitará a elaboração do trabalho (ANDRADE, 1997).

Segundo BARROS e LEHFELD (1986), a escolha do problema de pesquisa nunca se dá aleatoriamente, ela é sempre influenciada por fatores internos correspondentes ao próprio investigador (curiosidade, imaginação, experiência, filosofia) e por fatores externos, a realidade circundante ou a instituição a que o pesquisador se filia.

Para RUDIO (1978), formular o problema consiste em dizer, de maneira explícita, clara, compreensível e operacional, qual a dificuldade com a qual nos defrontamos e que pretendemos resolver, limitando o seu campo e apresentando suas características. Desta forma, o objetivo da formulação do problema é torná-lo individualizado, específico e inconfundível. Assim, em seguida, parte-se para as suposições ou hipóteses.

 

A hipótese

Para RUDIO (1978), hipótese é uma suposição que se faz na tentativa de explicar o que se desconhece. Esta suposição tem por característica o fato de ser provisória, devendo, portanto, ser testada para a verificação de sua validade. Trata-se de antecipar um conhecimento na expectativa de que possa ser comprovado.

Hipótese é uma proposição que pode ser colocada à prova para determinar sua validade. Neste sentido, hipótese é uma suposta resposta ao problema a ser investigado. A origem das hipóteses poderia estar na observação assistemática dos fatos, nos resultados de outras pesquisas, nas teorias existentes, ou na simples intuição (GIL, 1991).

O papel fundamental das hipóteses na pesquisa é sugerir explicações para os fatos. Podem ser verdadeiras ou falsas, mas, sempre que bem elaboradas, conduzem à verificação empírica – que é o propósito da pesquisa científica. Entretanto, para GIL, o modelo de explicação causal não é adequado às ciências sociais, em virtude do grande número e da complexidade das variáveis que interferem na produção desses fenômenos.

Por essa razão, os filósofos da ciência propõem modelos menos rígidos para a construção de hipóteses. De modo geral, as hipóteses elaboradas nas ciências sociais não são rigorosamente causais, apenas indicam a existência de algum tipo de relação entre variáveis.

Entretanto, LAKATOS e MARCONI (1991) nos alertam que a hipótese de trabalho – usada nos estudos de caráter exploratório ou descritivo, onde é dispensável sua explicitação formal – é necessária para que a pesquisa apresente resultados úteis, ou seja, atinja níveis de interpretação mais altos.

 

Objeto da pesquisa

RUIZ (1996) estabeleceu uma diferenciação entre objeto material e objeto formal. Para o autor, não é o objeto material o que caracteriza uma ciência: na verdade, o mesmo objeto material pode ser atingido por diferentes modos de conhecer. O objeto “homem”, por exemplo, pode ser atingido pela poesia, pela Filosofia, pela religião, e também pelas ciências, como a Psicologia, a Biologia e a Sociologia. O que caracterizaria a ciência é seu objeto formal – isto é, a maneira peculiar, o aspecto, ou o ângulo sob o qual atinge seu objeto material.

 

Tipo de pesquisa

Pesquisas exploratórias – pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos, com vistas à formulação de problemas ou hipóteses pesquisáveis. Apresentam menor rigidez no planejamento.

Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difíciI sobre ele formuIar hipóteses precisas e operacionalizáveis. O produto final deste processo é um problema mais esclarecido, passível de investigação mediante procedimentos sistematizados (GIL, 1991).

Pesquisas descritivas – as pesquisas deste tipo têm como objetivo a descrição das características de determinada população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados.

Dentre as pesquisas descritivas salientam-se as que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, opiniões, atitudes, crenças, etc. As pesquisas descritivas são, juntamente com as exploratórias, as que habitualmente realizam os pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática. São também as mais solicitadas por organizações como instituições educacionais, empresas comerciais, partidos políticos, etc (GIL, 1991).

Pesquisas explicativas – são pesquisas que têm como preocupação identificar fatores que determinam a ocorrência de fenômenos. As pesquisas explicativas, nas ciências naturais, valem-se do método experimental. Nas ciências sociais, recorre-se a outros métodos, sobretudo ao observacional. Entretanto, nem sempre se torna possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em ciências sociais (GIL, 1991). Segundo MORAES e MONT’ALVÃO (1998), os tipos de pesquisa aplicáveis em Ergonomia são:

Pesquisa descritiva – pesquisa de opinião ou pesquisa de atitude, pesquisa de motivação, estudo de caso, análise do trabalho, e pesquisas documentais. Aqui, o pesquisador procura conhecer e interpretar a realidade. Interessa-se em descobrir e observar fenômenos – procura descrevê-los, classificá-los e interpretá-los. Os dados obtidos – qualitativos ou quantitativos – devem ser analisados e interpretados.

Pesquisa experimental – o pesquisador manipula deliberadamente algum aspecto da realidade – dentro de condições predefinidas. Pretende-se dizer de que modo, ou por que causas, o fenômeno se produz. A pesquisa experimental verifica a relação de causalidade entre variáveis. A inferência é diretamente feita sobre a realidade (MORAES e MONT’ALVÃO, 1998).

 

Métodos e técnicas

Segundo GALLIANO (1986), todas as acepções da palavra “método” registradas nos dicionários estão ligadas à origem grega methodos – que significa “caminho para chegar a um fim”. GOLDENBERG (1997) define o método como a observação sistemática dos fenômenos da realidade através de uma sucessão de passos, orientados por conhecimentos teóricos, buscando explicar a causa desses fenômenos, suas correlações e aspectos não-revelados.

A característica essencial do método científico é a investigação organizada, o controle rigoroso das observações e a utilização de conhecimentos teóricos. BARROS e LEHFELD (1986) nos mostram a importância da observação como procedimento investigativo. A observação deve ser exata, completa, sucessiva e metódica, e sobretudo imparcial. Pode ser:

– Observação assistemática (ou não estruturada): sem controle anteriormente elaborado e sem instrumental apropriado.

– Observação sistemática (ou planejada): requer um planejamento prévio para seu desenvolvimento. É estruturada e realizada em condições controladas, com objetivos e propósitos previamente definidos.

De acordo com LAKATOS e MARCONI (1991), o método de abordagem caracterizar-se-ia por uma abordagem ampla, em nível de abstração elevado, dos fenômenos da natureza e da sociedade. Englobaria:

– Método indutivo: que caminha para planos mais abrangentes, indo das constatações particulares às leis e teorias gerais, em conexão ascendente.

– Método dedutivo: parte das leis e teorias e prediz a ocorrência de fenômenos particulares, em conexão descendente.

– Método hipotético-dedutivo: inicia-se pela percepção de uma lacuna nos conhecimentos, formula-se uma hipótese e, pelo processo dedutivo, testa a predição da ocorrência de fenômenos.

– Método dialético: penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade.

LAKATOS e MARCONI (1991) apresentam-nos ainda as seguintes técnicas, que compõem a observação direta extensiva:

– Questionário: uma série de perguntas que devem ser respondidas por escrito, sem a presença do pesquisador.

– Formulário: é um roteiro de perguntas enunciadas pelo entrevistador e preenchidas por ele com as respostas do pesquisado.

– Medidas de opinião e de atitudes: é um instrumento de padronização que visa a assegurar a equivalência de diferentes opiniões e atitudes, com a finalidade de compará-las.

– Testes: são instrumentos utilizados com a finalidade de obter dados que permitam medir o rendimento, a freqüência, a capacidade ou o comportamento de indivíduos, de forma quantitativa.

– Sociometria: é uma técnica quantitativa que procura explicar as relações pessoais entre indivíduos de um grupo. – Análise de conteúdo: técnica que permite a descrição sistemática, objetiva e quantitativa do conteúdo da comunicação.

– História da vida: tenta obter dados relativos à experiência pessoal de alguém que tenha significado importante para o conhecimento do objeto de estudo.

– Pesquisa de mercado: visa obtenção de informações sobre o mercado, para ajudar o processo decisivo nas empresas.

Segundo LAKATOS e MARCONI (1999), tanto métodos quanto técnicas de pesquisa devem adequar-se ao problema a ser estudado, às hipóteses levantadas, ao tipo de informantes com que se vai entrar em contato. Dependerão do objeto da pesquisa, dos recursos financeiros, da equipe humana e de outros elementos da investigação. A descrição, segundo LOPES (1997), faz a ponte entre a fase de observação dos dados e a fase de interpretação. Por isso, combina técnicas e métodos de análise.

A descrição implica em:

– tratamento estatístico, ou seja, fazer tabulações para encontrar concentrações, freqüências e tendências na documentação coletada;

– assegurar o domínio sobre a massa de dados coletados, identificando e selecionando fatos de significação para o tratamento analítico; e

– conseguir um conhecimento prévio das possibilidades da documentação, em relação aos objetivos da investigação.

RICHARDSON (1999) desenvolve críticas ao emprego de métodos quantitativos na pesquisa social. O autor afirma que as ciências naturais vêem o mundo físico como um objeto a ser controlado tecnologicamente pelo ser humano. Esse modelo não pode ser utilizado nas ciências sociais, pois não se pode considerar as pessoas como objetos manipuláveis, nem a organização da sociedade como um problema de engenharia a ser solucionado pelos cientistas.

Entretanto, adverte: “não são os métodos quantitativos em si que produzem injustiças sociais, mas o uso que se faz desses métodos.” Com referência à pesquisa qualitativa, RICHARDSON (1999) informa que esta tem aumentado sua credibilidade nas ciências sociais. “Essa legitimidade, porém, foi comprada ao preço de incorporar critérios positivistas de validade e generalização.”

 

Referências Bibliográficas

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AGNER, Luiz; MORAES, Anamaria. Ergonomics and web design: a brazilian case study. In: Advances in Occupational Ergonomics and Safety. Annual Conference of the International Society for Occupational Ergonomics and Safety / ISOES, 15, 2001, Washington.

ANDRADE, Maria Margarida de. Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação. São Paulo: Atlas, 1997. APÓS críticas, IVC muda programa de medição. Jornal Valor Econômico, São Paulo: 26 jul. 2001. Caderno Empresas. P.B4.

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